Velório é impedido após corpo ser armazenado indevidamente na ala COVID em Divinópolis

Escrito por em 04/05/2021

Por Estado de Minas

Um erro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Divinópolis, Centro-Oeste de Minas Gerais, impediu o velório de um homem, de 53 anos, que morreu no sábado (1º/5). O atestado de óbito aponta como causa infarto, porém, o corpo foi armazenado indevidamente na área de COVID-19.

O caso ganhou repercussão nesta segunda-feira (3/5) após a prefeitura divulgar que irá investigar o caso.

Edson Antônio dos Santos deu entrada na unidade na noite de sexta-feira (30/4) com dor no peito. Dias antes, havia recebido alta médica da UPA após procurar atendimento com os mesmos sintomas.

O paciente estava internado em uma ala extensiva que funciona no Hospital Bento Menni.

Na primeira internação, ele foi submetido ao teste da COVID-19. O resultado foi negativo para a doença.

Edson foi levado diretamente para o setor de urgência, antes de passar pela triagem. Ele recebeu o atendimento imediato, mas não resistiu e morreu. A família alega que foi informada sobre o óbito por volta das 3h. Entretanto, ela foi registrada à 00h40.

Daniella Mara dos Santos, irmã de Edson, conta que assim que tomaram conhecimento, todas as providências foram tomadas. Os documentos já estavam com os responsáveis na UPA para emissão do atestado de óbito.

A unidade exigiu a certidão de nascimento. Como Santos morava na zona rural, ela precisou ir até a roça para buscar. O documento foi entregue às 10h de sábado (1º/5).

Embora ainda fosse pela manhã, Daniella só conseguiu sair da UPA com o atestado de óbito, para providenciar o velório, às 15h. “Eles nos falaram que a médica estava atendendo urgência, ficamos aguardando do lado de fora para liberar”, contou.

Só à tarde o atestado foi devidamente assinado.

Com a liberação autorizada, ela procurou o Serviço Municipal do Luto. “O agente disse que se fosse velar seria uma hora só”, afirmou Daniella.

O prazo é para seguir os protocolos sanitários em razão das restrições da COVID-19.

Devido ao horário da liberação do corpo, foi informado à família que o enterro seria entre 16h e 17h. Porém, outro imprevisto surgiu: quando o motorista o Serviço Municipal do Luto chegou à UPA, ele informou que não seria permitido o velório, pois o corpo estava armazenado na área de COVID-19.

A notícia surpreendeu a família, já que no atestado constava a morte por infarto. Só após pedirem a intervenção de um vereador, os familiares conseguiram uma resposta e foram informados sobre o erro.

Santos foi enquadrado como sintomático respiratório e por isso atendido por uma médica da ala de COVID-19. Como o atestado de óbito, que não constava nem mesmo suspeita da doença, foi assinado por ela, a equipe armazenou o corpo da área restrita aos casos.

Os familiares só conseguiram sair da UPA às 18h. O homem foi enterrado sem velório no cemitério Parque da Colina.

A família avalia se irá acionar a Justiça.


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