Saúde – Qual é o jeito certo de usar água sanitária para combater o coronavírus?

Escrito por em 28/04/2020

Imagem: Freepik

Todo mundo já sabe que água com sabão e álcool têm formado uma dupla dinâmica na prevenção ao novo coronavírus. Só que, na hora da limpeza pesada, a água sanitária é mais versátil, sendo útil para limpar o chão e até para higienizar alimentos. Mas qual é a proporção certa dessa substância com a água comum, para as situações de combate ao vírus? Se a ideia é limpar maçanetas, pias e objetos, como latinhas de refrigerante compradas no mercado, uma solução contendo 25 ml (meio copinho de café) de água sanitária para cada litro de água é suficiente.

É importante salientar que essa solução não é indicada para limpar móveis de madeira, tecidos e plásticos, já que a água sanitária é alvejante e tende a esbranquiçar materiais como estes. Para a limpeza de pisos frios, solas de sapato e itens de banheiro, cada litro de água deve receber 50 ml (um copinho de café) de água sanitária.

Já para higienizar alimentos como verduras e legumes, a recomendação é usar uma colher de sopa de água sanitária para cada 1,5 litro de água.

Primeiro é necessário lavar os vegetais com bastante água corrente. Depois deve-se deixá-los submersos por pelo menos 15 minutos.

Afirma Álvaro Pulchinelli, toxicologista do Fleury Medicina e Saúde. Depois disso, enxágue os alimentos em água corrente para tirar possíveis resíduos de água sanitária.

O que a água sanitária faz?

A água sanitária que a gente compra no mercado é a diluição de um sal (NaClO, hipoclorito de sódio) em água. “Mesmo sendo uma solução diluída, a água sanitária, como é vendida ao consumidor, ainda é muito agressiva e não deve ser usada pura”, diz Antonio Florencio, doutor em química pela Universidade Federal Fluminense (UFF). O que fazer então? Colocar mais água, claro. Ao contrário do que muitos pensam, ao fazer isso você não está “enfraquecendo” a substância, mas sim mudando algumas características dela. O fator pH da água sanitária é muito elevado: em torno de 11,5 e 13,5. Diluído em água, o hipoclorito de sódio passa por hidrólise e assim temos o surgimento do ácido hipocloroso (HClO), uma substância antisséptica.

Por que a água sanitária inutiliza bactérias e vírus?

Primeiro, o alto pH do hipoclorito de sódio faz com que as proteínas e enzimas que estes microorganismos usam para sobreviver não “funcionem” corretamente, atuando na conformação —isto é, na estrutura tridimensional— desses seres. Quando a substância é diluída, temos o surgimento do ácido hipocloroso, e a água sanitária se torna um poderoso oxidante. “Aí, ela promove mudanças químicas em componentes de vírus e bactérias o suficiente para destrui-los”, acrescenta Laura de Freitas, doutora em biociências e biotecnologia pela Unesp.

Quais são os riscos à saúde?

Antes de mais nada, reiteramos o óbvio: jamais beba ou injete no seu corpo água sanitária ou outro tipo de solução ou produto com a substância. Isso porque na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, causou problemas quando sugeriu sarcasticamente que as pessoas poderiam tentar a injeção de desinfetantes ou de outros produtos de limpeza para se “curar” do coronavírus. Resultado: mais de 30 americanos receberam atendimento médico por dar ouvidos ao político. Se você pretende usar a água sanitária na limpeza, o recomendado é que, independentemente da concentração, use luvas. A água sanitária provoca o ressecamento da pele, retirando toda a camada de proteção da epiderme e facilitando o desenvolvimento de dermatites e infecções secundárias. “Quanto maior a exposição a esta substância química, em termos de frequência, maior a lesão”, afirma Ana Célia Xavier, dermatologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. E mesmo usando luvas, é recomendado lavar bem as mãos e aplicar hidratante após utilizar o produto, garantindo assim que não haja resquícios da substância na pele. Já se houver contato com mucosas, com a boca ou os olhos, o melhor a se fazer é lavar em abundância. Já no caso de ingestão acidental, o melhor a se fazer é procurar um médico. “Não se deve provocar o vômito. É recomendável procurar assistência médica ou contatar o centro de intoxicações da região”, afirma Pulchinelli. Caso você tenha animais de estimação, é importante mantê-los distantes enquanto se limpa ambientes com água sanitária. Se a limpeza for do chão, por exemplo, só se deve deixar os bichinhos circularem pelo local depois que ele estiver totalmente seco.

Fonte: UOL/Tilt


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