Profissionais de educação e pais de alunos publicam carta contra municipalização das escolas estaduais em Itaúna

Escrito por em 21/07/2021

Uma Audiência Pública Virtual está marcada para esta quarta-feira (21/07) e os professores acreditam que uma Reunião Extraordinária da Câmara deve ser convocada para a quinta-feira (22/07) para votar o projeto de lei de adesão do município de Itaúna à proposta do governo de Minas de municipalização das escolas estaduais. A Audiência Pública Virtual desta quarta-feira, que será transmitida pelo canal do YouTube da Câmara, a partir das 19h,  será a terceira sobre o tema em Itaúna. As outras aconteceram nos dias 08/07 e 13/07.

Uma Carta aos Itaunenses circula em vários grupos de WhatsApp e redes sociais da cidade e é encabeçada por “profissionais e pais de alunos das Escolas Estaduais de Itaúna”. A carta apresenta nove questões para a prefeitura de Itaúna, sobre a municipalização, a transferência de alunos, a questão do transporte e outras situações envolvendo os professores, os alunos e a comunidade escolar. São questões que, de acordo com a carta, não foram respondidas nas duas audiências públicas anteriores.

Confira as questões apresentadas na carta:

1 – As escolas municipais Dr Lincoln, Maria Augusta, Augusto Gonçalves e Padre Waldemar que receberão os alunos municipalizados, têm estrutura física para receber os alunos sem superlotar as salas de aula? Nada foi dito sobre isso: quantos alunos serão levados para cada escola? Quantos alunos serão colocados em cada sala de aula nessas escolas? Será respeitado o espaço mínimo que cada estudante tem direito numa sala de aula? Como?
2 – Quantas salas de aula serão construídas na EM Pe Waldemar, 2 – conforme está no projeto – ou 4 de acordo com o sr Wesley na última audiência? Quando serão construídas? A EM Pe Waldemar conseguirá atender sozinha a demanda da região, antes atendida também pela EE Zezé Lima?
3 – Como ficarão os estudantes carentes que serão remanejados para escolas mais distantes de suas residências? A prefeitura arcará com o transporte escolar dessas CRIANÇAS ou elas terão que caminhar até 6km (em alguns casos) por dia para ir à escola? A prefeitura garantirá que irmãos permaneçam juntos numa mesma escola ou vai separá-los, de forma aleatória, dificultando mais ainda a vida dos pais?
4 – Os estudantes com necessidades especiais, nas escolas municipalizadas, terão direito a professor de apoio, com formação adequada, como tem nas escolas estaduais ou serão atendidos por estagiários, na maioria das vezes sérios e responsáveis, mas ainda sem a capacitação necessária para um atendimento de qualidade?
5 – A construção de uma creche no bairro Jadir Marinho (reivindicação justíssima e mais do que legítima de toda a comunidade da região) é uma promessa que está sendo usada pela prefeitura para sensibilizar e angariar apoio para essa municipalização apressada e antidemocrática. Porém, nós perguntamos: por quê o prefeito não priorizou a construção de creches e escolas até hoje? Ao invés disso, investiu em sede nova e luxuosa para a prefeitura, em reajuste dos altos salários dos políticos, em asfaltamento de ruas e outras questões similares. Por quê as verbas de emendas parlamentares destinadas ao município por deputados estaduais não são usadas para isso? Nesse ponto é importante ressaltar ainda que a região necessita sim de uma creche, mas não de uma nova escola de anos iniciais, visto que a EE Leonardo Gonçalves já atende, de forma adequada e com qualidade, a esse segmento! A EDUCAÇÃO deveria ser prioridade em todos os momentos!
6 – Quantos profissionais designados (contratados) das escolas estaduais serão demitidos com a municipalização? Demitir profissionais e diminuir a possibilidade dos mesmos conseguirem novos contratos de trabalho é bom para o município? Gerar desemprego é bom para o município?
7 – É justo impor aos servidores efetivos uma perda salarial média de R$430,00, além funções diferentes daquelas para as quais prestaram concurso e desenvolvem há muitos anos? É digno prejudicá-los ainda mais quanto às condições de aposentadoria? É certo desconsiderar o perfil e a vocação de cada um desses trabalhadores? É correto impor-lhes uma nova formação e novas funções ou isso é um atentado contra a liberdade de escolha, além de uma sobrecarga?
8 – A questão dos professores concursados da Prefeitura é outro problema, uma vez que as vagas para as quais concorreram – e foram aprovados – deixarão de existir na medida em que esses cargos forem oferecidos a professores da rede estadual em adjunção no município. Obviamente os profissionais aprovados para vagas existentes recorrerão (com absoluta legitimidade) à justiça.
9 – Um dos objetivos do prefeito é resolver um problema antigo de coabitação entre as Escolas Municipal Celuta das Neves e Estadual Professora Gilka Drumond, que dividem o espaço do chamado “Polivalente”. Ora, há que se perguntar: o prédio da EE João Dornas projetado para uma escola de anos iniciais será adequado para receber uma escola de anos finais com 440 alunos? As salas têm tamanho adequado para os alunos (maiores e em maior quantidade) dos anos finais? É desejável que esses alunos sejam levados para uma escola que não tem quadra de esportes? E o refeitório, que atualmente atende a 233 crianças, terá capacidade para atender a 440 adolescentes? E os banheiros, serão adequados e suficientes? A secretaria, comportará todos os arquivos da Escola Celuta das Neves? É racional deixar o Polivalente ocioso, com apenas 3 turmas de ensino médio?
*** Para além de todas essas questões, é importante esclarecer que com a municipalização, a prefeitura supostamente resolverá esse conflito, gerando outro problema de coabitação na Escola Estadual Leonardo Gonçalves, cujos alunos dos anos iniciais serão municipalizados, mas permanecerão no mesmo prédio, sob direção/administração municipal, enquanto os anos finais e ensino médio continuarão também no mesmo prédio, porém sob direção/administração estadual! Segundo a prefeitura isso acontecerá até que uma nova escola seja construída no bairro Jadir Marinho, mas quando essa escola ficará pronta ninguém diz e o que nos resta é conjecturar que isso levará longos anos e ultrapassará o mandato do atual prefeito (que não pode mais se reeleger) pois a atual administração, em 4,5 anos, não conseguiu, por exemplo, concluir a creche do Santa Edwiges!

Professores protestam na porta da Câmara contra municipalização de escolas estaduais em Itaúna

Resposta da Prefeitura

O jornalismo do Grupo Rádio Clube entrou em contato com a prefeitura de Itaúna para saber a resposta aos questionamentos. O Secretário de Educação, Wesley Lopes pediu um prazo para retornar. A matéria será atualizada com a resposta do secretário.

Confira a Carta aos itaunenses na íntegra: Carta aos itaunenses

Jornalismo Grupo Rádio Clube de Itaúna

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Opiniões dos leitores
  1. Madalena Maria   Em   21/07/2021 at 10:50

    Um absurdo em tempos de pandemia os pais desemprego como levar as crianças na escola?Desculpe _me mas is políticos não estão trabalhando para o povo,e sim em benefícios proprios .

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