Mercado financeiro prevê inflação acima de 10% para este ano

Escrito por em 24/11/2021

Mais uma vez o mercado financeiro elevou a estimativa de inflação no Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor amplo (IPCA) acima de 10% neste ano. Caso se confirme que a inflação chegue a dois dígitos até o fim de 2021, será a primeira vez desde 2015. O relatório Focus do Banco Central, feito por mais de 100 instituições financeiras do país, prevê que a inflação alcance o patamar de 10,12% em dezembro. No começo do ano, o governo projetava uma meta de inflação de 3,75%.

O economista e consultor tributário, Clóvis Panzarini, explica o que motiva a inflação ser elevada no país. “A inflação é a febre da economia. Ela existe quando a economia está doente, quando há algo errado com ela. Os economistas classificam em duas categorias: de oferta e de demanda. A principal causa da inflação é a farra fiscal do governo, que gasta mais do que arrecada e provoca a inflação de demanda. O gasto do governo incha a demanda e provoca a inflação. As mercadorias e os serviços ficam mais caros e gera mais impostos para o governo. Quem paga a conta da farra do governo é sempre o consumidor, que paga mais impostos na boca do caixa do supermercado e reequilibra as contas do governo”, explica.

Clóvis Panzarini também atribui o aumento da inflação no Brasil quando o consumidor compra produtos importados, vindos de outros países.

Quando sobem os preços internacionais das mercadorias que o brasileiro consome, importamos inflação do exterior. Temos a inflação de custos. A fuga de capitais externos do Brasil também provoca inflação, e é provocada essa fuga pela permanente estabilidade política desse governo, o que aumenta a taxa de câmbio e provoca a inflação interna. A inflação corrói o poder de compra do consumidor. Uma inflação de 10%, como a que temos hoje, torna o consumidor 10% mais pobre. Se a renda dele não aumentar 10%, como a renda dele não está aumentando, ao contrário está caindo, ele está cada vez mais pobre.

O professor de economia da FGV, Mauro Rochlin, elenca uma série de fatores para que a inflação suba. Ele lembra, por exemplo, o alto preço do petróleo, que reflete no preço da gasolina e diesel que fazem o transporte encarecer ainda mais.

Primeiro a gente pode ter a inflação motivada pelo aumento de custos. A gente vê isso acontecer quando alguns produtos básicos, alguns produtos estratégicos, aumentam muito de preços. Também pode ter aumento de preços por causa da demanda. A demanda na economia pode estar muito aquecida e isto pode ser por conta de uma taxa de juros muito baixa. Quando a gente tem um problema, como quebra de safras, a oferta de serviços e produtos é insuficiente para atender a todos e isso acaba por provocar aumento de preços.

Mauro Rochlin aponta dois caminhos para conter a inflação. No entendimento dele, o governo deve elevar a taxa de juros e cortar gastos públicos. “Quando o governo aumenta juros, ele torna o crédito mais caro. E com o crédito mais caro, há uma redução no consumo. A ideia é essa. A ideia é de quando o crediário aumenta, a prestação fica mais pesada no bolso do consumidor e, portanto, o consumidor reduz o seu consumo. O resultado final disso é uma queda de preços. Segunda maneira do governo buscar esse objetivo é reduzir o seu orçamento, é cortar o seu orçamento. É ele mesmo passar a consumir menor. É ele, governo, passar a ter um nível de consumo menor, e isto é um desincentivo ao aumento de preço”. O mercado financeiro não descarta uma estimativa de inflação para o ano que vem.

 Por Luis Ricardo Machado

Rede de Notícias Regional /Brasília

Foto: Banco Central

Crédito da foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil


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