Faturamento das indústrias de Minas Gerais sobe 8,6%

Escrito por em 06/05/2022

Em março, as horas trabalhadas nas indústrias mineiras registraram crescimento de 4%, a maior alta em 12 anos | Foto: José Paulo Lacerda

Em março, o faturamento da indústria em Minas Gerais aumentou 8,6% sobre fevereiro, resultado vindo das indústrias extrativa (3,5%) e de transformação (9%). O incremento geral foi a maior expansão para o mês em nove anos.

Por outro lado, no primeiro trimestre, o setor ainda acumula queda de 3,3%, em decorrência das retrações nas indústrias extrativa (-9,9%) e de transformação (-2,3%). Os dados são da Pesquisa Indicadores Industriais (Index), divulgada, ontem, pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

 

No mês, na comparação com o mesmo intervalo do ano passado, o faturamento do setor industrial no Estado aumentou 1,4%. O resultado elevou para 7,8% o crescimento no acumulado dos últimos 12 meses, com expansões na indústria extrativa (21,3%) e na indústria de transformação (5,7%).

A analista de estudos econômicos da Fiemg, Júlia Silper, explica que em março foi registrada elevação em praticamente todas as variáveis analisadas na pesquisa, ante fevereiro.

Além do faturamento da indústria geral ter crescido 8,6%, registrando a maior expansão para o mês em nove anos, as horas trabalhadas na produção apresentaram a elevação mais intensa para o mês em 12 anos, 4%. Frente a março de 2021, a expansão no índice ficou em 6%. Com o resultado, no ano, as horas trabalhadas na produção estão 2,6% maiores frente ao primeiro trimestre de 2021. No acumulado do ano, o resultado ficou 7,6% maior.

“O resultado positivo visto no faturamento é resultado da maior atividade nas indústrias extrativas e de transformação. É interessante destacar que no caso das horas trabalhadas na produção, a elevação veio, principalmente, em ocorrência de horas extras. O que mostra que as empresas estão trabalhando com horas a mais”.

 

Outro índice que apresentou resultado positivo foi a utilização da capacidade instalada. Em março, houve uma alta frente a fevereiro. O índice subiu de 84% para atuais 84,9%, em decorrência dos incrementos nos dois segmentos da indústria. No acumulado do ano, o índice está em 83% e nos últimos 12 meses em 82,3%.

Mercado de trabalho

Levando em conta os índices do mercado de trabalho, o emprego praticamente não variou frente ao mês anterior. Em março, frente a fevereiro, o avanço foi de apenas 0,1%. Frente a igual mês do ano passado, a alta foi de 1%. Nos últimos 12 meses o aumento está em 5,5%.

No que se refere ao rendimento médio real foi verificado incremento de 1,2%. Porém, nos acumulados o resultado é negativo, com queda de 0,7% no trimestre e de 4,3% nos últimos 12 meses. A massa salarial avançou 1,8% em março frente a fevereiro e 4,9% frente a março de 2021. No ano, o resultado ficou positivo em 1,7% e em 0,9% nos últimos 12 meses.

 

Tendência é de desaceleração 

De acordo com Júlia Silper, apesar do resultado positivo em março, a tendência é de desaceleração da indústria, movimento que não fica restrito a Minas Gerais e envolve a economia global.

“A gente tem um cenário prospectivo mais desafiador porque desde o início da pandemia a indústria tem lidado com escassez de insumos. A política de tolerância zero contra a Covid-19 adotada na China motivou novos lockdowns no país, o que contribui para a manutenção dos gargalos nas cadeias produtivas e também impacta nos transportes e na elevação dos preços na economia mundial”.

Ainda segundo Júlia, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia também gera pressões nos preços internacionais, especialmente de commodities agrícolas e energéticas.

“Os preços dos alimentos e da energia continuam subindo muito e, isso, pressiona os custos, encarece a matéria-prima e dificulta acesso a insumos.  É um grande desafio e pode vir a impactar as indústrias. Já temos, no Brasil, empresas adotando férias coletivas, por falta de insumos”.


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