Covid-19 já mata proporcionalmente mais que a maior causa de mortes no Brasil

Escrito por em 22/05/2020

Sessenta e seis dias após a confirmação do primeiro óbito por Covid-19, o Brasil alcança a marca de 20.047 mortes pela infecção. A primeira vítima morta foi identificada no dia 16 de março. O número registrado nesta quinta-feira (21) já supera a média de mortes para o mesmo período da causa mais comum de óbitos no país, o infarto do miocárdio, que em 2018 matou, em média, 16.866 pessoas em 66 dias, segundo dados do Data SUS.

O último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, divulgado nesta quinta-feira, trouxe mais um recorde de mortos em 24 horas. Entre quarta-feira (20) e quinta foram registrados 1188 óbitos, nove a mais do que o último pico, atingido dois dias antes, na terça-feira (19). A taxa de letaliadade da doença também aumentou e está em 9,5 a cada 100 mil habitantes.

O alto número de mortes em decorrência da infecção pelo novo coronavírus também assusta quando comparado a outras doenças com alto número de fatalidade. Os dois tipos de câncer que mais matam no país, de traqueia, brônquios e pulmões e de mama, tiraram a vida de 46.483 pessoas em 2018, o que representa uma média de 8.405 mortes em 66 dias, também conforme os dados do Data SUS.

Além das mortes, o número de casos confirmados da doença no país ultrapassou 310 mil nesta quinta-feira. O número é pouco menos da metade da expectativa de novos casos de câncer previstos para o ano todo, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), que estima que 685.960 brasileiros serão diagnosticados com a doença em 2020.

Para o diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica em Minas Gerais (SBOC-MG), Gustavo Baumgratz, os números de mortes pela Covid-19 evidenciam a gravidade da doença, mas pondera que existe uma diferença entre ela e o câncer. “A Covid-19 é uma epidemia, uma doença infecciosa, que se espalha rápido e não tem o fator crônico do câncer, mas o que esperamos de uma epidemia é que haja tratamento ou vacina, o que ainda não há para o novo coronavírus e torna o número de mortes tão considerável”, relata.

A Covid-19 ainda supera números anuais de casos de outras doenças infecciosas, como HIV/AIDS e tuberculose. Em 2019, 73.864 novos casos de tuberculose foram registrados, enquanto em 2018, 43,9 mil novas infecções por HIV entraram nos dados do Ministério da Saúde.

Fonte: Jornal o Tempo / Por Daniele Franco

 


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